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5 milhas de Joaquim Egídio

 

Na track Field do Iguatemi cerca de um mês antes corri no lugar de alguém que não pôde ir mas a organizadora não autorizou a mudança de nome. Mesmo vencendo em 4º no geral não tive direito ao prêmio.



Eu acreditava que havia uma chance em 12 de ocorrer um evento futuro em Joaquim Egídio, embora eu nunca confirmasse com clareza o motivo de não terem feito corridas lá desde a meia maratona da Listel em 2008. Porquê 12? Doze meses do ano pra se planejar uma só corrida no local.

 

Por isto outro motivo de correr somente em Joaquim Egídio aos finais de semana era justamente se este dia chegasse para estar preparado. Reconhecer e dominar o terreno antes que todos soubessem. Outra coisa que aprendi no mundo da corrida: estar um passo a frente. 

 

Confesso que é uma missão muito fanática, por assim dizer.

Pois bem. 2011. Vinte de novembro. O dia chegou.

Não perguntei claramente onde passaria a corrida, e no site da organizadora não haviam lançado o mapa do percurso. Só tive insegurança nesse sentido mas não preocupação porque todo o local já sabia de có. Mas depois pensei bem e não liguei mais pra isso. Por causa dessa sensação o nervosismo diminuiu muito. 

 

Outra coisa que ajudou a diminuir em partes as "crises" nervosas é que quem é da elite sabe quem está ou não mais forte. É como se a corrida já fosse decidida pela mera presença de concorrentes mais fortes em outros percursos. E por eu ter visto o Elias, por exemplo, comecei a fazer as contas e no mínimo minha posição seria em oitavo. Mas ele e outros presentes - que não me recordo quem eram -  não estavam inscritos. 

 

Havia outros conhecidos. 

 

Então a corrida teria outro rumo.

 

O jeito era correr e na hora decidir. Como sempre tomei a frente, porque já conhecia o terreno e no meu ritmo fui levando. Os atletas que são ao mesmo tempo companheiros e concorrentes, sobre algumas coisas que faço não entendem. Estava em meu ritmo e não me importava mais se eu seria ultrapassado ou não. O problema era justamente outro - além do ritmo "estranho" - e eu tinha que resolver coisas piores antes. Coisas que eles não entenderia nunca. E não poderiam me ajudar. 

 

 

 

Por mais que eu segurasse a onda no começo, determinar posicionamento e velocidade logo no começo define sua posição no final; raramente um atleta "sai lá detrás" e passa todo mundo aos "45 do segundo tempo", se levar em conta que deseja um dos pódios. Segurar o ritmo no começo e dar o gás depois era uma coisa que todo mundo fazia mas eu não estava a fim e quando tentei fazer isso não rolou. Por isso eu "explodo" logo e daquele jeito seguro até onde dá e se sobrar energia faço o sprint. 

 

Meses depois fico sabendo nessas revistinhas de corrida que o tal de Samuel Wanjiru, queniano, tinha o mesmo pensamento que o meu, só que o cara explodia, e ganhava! Impossível, no mundo da corrida. Só que.... se ele pode, eu posso! Era o que eu imaginava. 

Nessa parte serei breve. Eu fiz uma coisa que qualquer um iria achar estranho. O Volmir, na foto, virou um grande colega meu. Quebrou ritmo e cadência toda hora, eu iria ganhar dele. E o ajudei... Tentei falar com ele e assim que ele "se consertou" ficou um pouco mais veloz que eu, tomou a dianteira e ficou em quarto lugar geral e eu cheguei logo atrás. 

 

 

Eu não sei se outra pessoa, numa hora dessa, falaria alguma coisa pra prejudicar só pra pegar lugar no pódio. Confesso que passou esse pensamento na minha cabeça. Mas e aí? Tomamos decisões. 

 

 

 

Eu notei que o problema dele era respiração e dor no baço. Baixar o ritmo, claro, ele perderia e eu passaria. A vibração do corpo toda vez que se pisa, ao mesmo tempo que se puxa o ar (inspira) faz doer o baço. O que eu mandei? Trocar a passada; inspirar entre as passadas. Parou de doer. Parou o incômodo. Dava para acelerar. Pronto! 

E eu? Fiquei para trás.

 

 

 

"Pô, mas você ajudou um cara a ganhar de você?" Sim, e daí?

 

 

Não tem como eu provar isso. Quem quiser, pergunte ao atleta. Se o mesmo quiser falar a verdade ou não, beleza. O problema que eu vi, caso eu não esteja enganado, era esse. Caso ele disser que foi outro problema e que minha ajuda foi bem vinda, beleza!

Essa história nunca contei pra ninguém. Só aqui que escrevo. 

 

Aliás, quantos conselhos no meio nessas corridas já me deram e eu não ganhei do conselheiro no quesito POSIÇÃO?

 

Sabe.... são coisas que o esporte esconde, só enxerga quem tem visão e eu só relato aqui na esperança de que quem puder ler esta história possa aprender algo e que valores outrora esquecidos vale a pena. A missão minha aqui não é só mostrar que eu sou somente um bom atleta correndo com camisa estampada.

 

Há uma história rolando na internet de um queniano, que após fazer uma prova parou de correr porque achou que tinha vencido. Erros acontecem; deve ter visto alguma faixa e pensou ser o tapete de validações de chip ou a linha de chegada. O atleta que veio após ele não se aproveitou desta distração, o avisou e o queniano voltou a corrida, venceu em primeiro e o outro atleta pegou o segundo lugar. 

 

Não sei se o que eu fiz se iguala ou se parece com o que aconteceu nessa maratona da história, mas me senti tão bem subindo ao pódio que minha mera presença ali irritou várias pessoas que já me olhavam feio desde a época da corrida no Iguatemi, no revezamento do ano anterior. Não puderam me tirar de lá. O preconceito não me atingiu. O racismo também não. A "fofocaiada" também não Devo ter inspirado alguém pela persistência, ou fui um exemplo, não sei; há muitas possibilidades.

 

Isso também não tem como provar. E também nunca contei pra ninguém. 

Uma das melhores corridas que já fiz. Excelente como primeira edição.

A foto abaixo é de meu amigo Paulo Batista de Carvalho. Torço muito por ele, teve muitos problemas e acredito que deu a volta por cima. Um dos raros que ficou feliz por eu saber que entrei na faculdade. Não o vi mais, faz tempo. Espero que esteja bem. É o que desejo.

 

 

Aqui não é só um blog de um atleta que sempre escreverá as mesmas coisas: "a corrida foi legal"; "a organizadora é legal"; "o trajeto é legal"; "o tempo é legal"; "peguei/não peguei pódio mas tá valendo"; "treinar pra próxima"; "o treino foi legal";  "blablablá legal".Minha opinião é que o esporte é muito mais que isso.Não espero que entendam meu raciocínio.

 

 

Agradeço a atenção!
Vida longa a todos!

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